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Fama, beleza, dinheiro, poder, reconhecimento, etc. Estes são alguns dos muitos aspectos que se apresentam no vasto universo que constitui o desejo das pessoas.
Esse desejo se constrói a partir daquilo que é introjetado (aprendido e assimilado em instâncias psíquicas mais profundas e constitucionais e que são exclusivas de cada pessoa) desde o nascimento. São informações que recebemos sobre como devemos ser ou nos comportar para conquistar a aceitação e, principalmente, o amor do outro, sendo que em nossa infância,
este outro é representado geralmente pelas figuras paterna e materna.
Padrões sociais e modismos são recebidos muitas vezes como regra para se obter a felicidade e assim crescemos com a importante responsabilidade de sermos bonitos, inteligentes e poderosos, pois só assim seremos amados "de verdade".
A busca pela fama ou pela glória significa a necessidade de oferecer uma evidência, ainda que momentânea, do nosso sucesso. Acreditamos que assim, passamos a ser alvo da admiração e do amor daqueles que nos são importantes. Isso pode, de alguma forma, significar que existe um sentimento de culpa ou uma dívida para com aqueles que pensamos que esperam isso de nós.
É lógico que é muito gostoso ser aceito e ser reconhecido. É óbvio que é muito bom estar dentro dos padrões que a moda propõe e sentirmo-nos inseridos. Tudo isso, porém, sem que haja uma relação de dependência do desejo. Sem perder o verdadeiro foco que é a minha integridade física, moral e psicológica.
Interessante observar que, de um modo muito peculiar, algumas pessoas que buscam de forma exagerada algum tipo de reconhecimento pela fama, são pessoas que estão com sérios problemas de auto-estima. Por não conseguirem realizar as regras e normas de sucesso que receberam em sua educação, tentam compensar essa falta de maneira desenfreada. São pessoas que normalmente sentem-se muito inferiores aos outros em alguns aspectos já citados acima, e assim, acabam comprometendo mais ainda a sua integridade.
Igualmente, outros podem converter essa necessidade de ser amado ou reconhecido em outras formas de atuação onde, o saudável e o patológico oscilam conforme a intensidade de sua dedicação. Como exemplo podemos citar pessoas que se dedicam exageradamente às atividades profissionais, às atividades cosméticas como academias, salões de beleza e lojas. Há também os que se voltam totalmente para as atividades intelectuais. A oscilação que marca o limite saúde/doença é o exagero ou o abandono. Ou seja, tudo que se encontra em extremos de comportamento tem que ser analisado com cuidado, pois representa um desequilíbrio.
Efetivamente, ser amado e deter alguma forma de reconhecimento são elementos saudáveis em nossas vidas quando acontecem de forma espontânea. Isso significa que meu amor próprio e meu auto reconhecimento estão adequados. Antes de querer ser famoso para os outros, eu tenho que ser famoso para mim. Antes de ser "adorado" pelos outros, devo apresentar uma estrutura suficiente para suportar isso, estrutura essa que só se conquista com o equilíbrio principalmente psicológico. Além disso, a fama não desperta apenas amor e reconhecimento. O oposto também está presente sob a forma de inveja, despeito, ódio e difamação. De igual forma, é preciso muito equilíbrio para suportar essa variedade de sentimentos que são mobilizados.
Como estamos vendo, fama e poder tem seu preço e não raro vemos que muita gente não "agüenta o tranco" depois de algum tempo. São inúmeras as histórias de "famosos" que em dado momento promoveram uma drástica mudança em suas vidas em virtude da falta de estrutura para suportar o "ser alvo" dos outros. Desde o abandono da condição de famoso, um sumiço temporário, uso e dependência de substâncias químicas e em casos mais extremos, suicídio. A fragilidade psíquica nestes casos refere-se a uma tendência de sentir-se vazio e desprovido daquele amor original que é procurado. A sensação é de vazio e de que nada do que se está fazendo vale a pena ou tem algum sentido, pois não obtenho o reconhecimento que realmente desejo.
Então, como foi brevemente mostrado, estamos na verdade lidando com o nosso desejo pelo amor original, puro e verdadeiro. E gostaria de afirmar: quem já tem esse amor, ainda que seja incógnito, é mais poderoso do que muita gente famosa por aí!
Ralmer Nochimówski Rigoletto
Presidente do CEPCoS - Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade
Diretor Financeiro do CEPCoS
Coordenador da Cia do Teatro Espontâneo
Psicólogo, Sexólogo & Psicodramatista
CRP 06/43002-0
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